Retalhos de escuridão

Refulgir da Névoa Passada

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Localização: Lisbon, Portugal

quinta-feira, março 02, 2006

Este poema, de 21 de Dezembro de 2000, procura encarnar um típico poema de amor, no sentido típico da palavra. Achei piada quando o encontrei, por reconhecer nele bastantes semelhanças (no formato) com o poema "Consciência", um poema meu bastante posterior, e que é o mais aclamado pela crítica (lol).

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Saio para a noite, ansioso o meu coração,
oiço lá bem ao longe o ruidoso latir de um cão.
Mas o que eu queria mesmo era o sinal de alvorada
que este poema transformasse em canção.

É que amanhã, quando eu estiver a recitar,
vou poder ver-te a sorrir, ver o teu singelo olhar,
embora, caramba, ele seja uma bela cilada,
algo de musical fica solto no ar.

E não penses que eu me pus isto a construir
porque se eu deliro, é apenas porque me fizeste cair
num abismo sem saída nem entrada
daqueles que não leva a nada,
sem espaço para respirar,
sem sossego para pensar,
sem tempo para parar,
com uma inércia de matar,
um só sentido a percorrer,
sempre e somente a descer,
nada mais para fazer
a não ser render-me e esperar,
a não ser observar
o distante luar.

E deixar que esta estranha ansiedade
se apodere de mim
na esperança que tu, minha beldade,
tenhas paciência para me ouvir até ao fim.

1 Comments:

Blogger Mistic said...

Realmente lembra o consciência em estrutura :)

Filipe

2:55 a.m.  

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