De 9 de Novembro de 2000, este que é o ponto em que a minha vontade de me exprimir e às minhas angústias trazidas noite dentro culmina em definitivo, sob esta forma motivada pelo recente impacto que uns ou outros poemas me houveram causado nas aulas de português. Se há um ou outro (muito poucos) par de versos que fiz anteriores, são coisas curtas e de menor intensidade.
Originalmente organizei isto de uma forma muito peculiar... As duas primeiras interrogações como título, as duas próximas como complemento do título, em parêntesis, e a quadra seguinte, em rodapé, como apóstrofe à palavra "leite"... Parece-me que o que faz mais sentido é interpretar essas duas quadras como um prelúdio ao poema em si. Separo-as aqui do resto por reticências.
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Infância, onde estás?...
Que será de ti feito?
Só no passado existirás?...
Esgotou-se o leite do teu peito?...
Independente do que se passa lá fora,
Jorrarás eternamente na minha imaginação,
mesmo que, não digerido outrora,
Te Tenha transformado em pura aberração.
.......
E é quando o fluxo da demência começa a aumentar
que eu me sinto à deriva num temporal sem fim
e é aí que eu, abandonado neste retórico mar,
sinto a nostalgia de quando às vezes não é assim.
Pois o problema é que, por mais que eu tente lutar,
não há ilusões permanentes, não há rosas não doentes
que sobrevivam a tantos espinhos. E é ao chegar
presença em mim tão ausente, que eu vislumbro
a enraizada origem dos mortais redemoinhos.
Não é surpresa para mim, quando a água me balança
para esse mesmo núcleo, pois sei que é o meu destino.
Porém, entristece-me, pois perdura sempre a esperança
de viver livre, como um selvagem felino.
Infelizmente sou humano,
fujo do meu equilíbrio.
Descontenta-me não ter mano,
nem casaco quando tenho frio.
No entanto, a razão porque mais me irritas,
não são estes lugares-comuns
que, sendo cassetes, gastas têm as fitas,
tanto é o uso que lhe dão quaisquer uns.
Loucura vil, estúpida e egoísta;
cruel e fria! o que em ti o ódio me suscita
é em nada seres calculista.
E porquê? É simples, sou louco
(apesar de nunca ter levado na marmita.)
Acresce-me dizer-te, embora não me oiças,
que nem o Filósofo fareja a tua pista
e sabes, quando dizes: “Aqui tens minha cauda! Avistas?”,
que a tua essência para bem longe bafejas,
ó Dragão de identidade mista.
Para terminar quero afirmar, convicto,
que este Dragão que eu tanto excremento
e segrego do Nirvana e do Bonito,
não passa duma desculpa para me dar alento.
Tenho dores de cotovelo
dos animais vertebrados
pois eles, para além do cabelo,
possuem estruturação
dos seus jardins, e não bosques,
de Abstracção.
Gostem ou não, é a realidade.
Há... Queriam, seus cérebros perversos!
Nesta vossa perpétua cidade
são grãos de areia, estes caóticos versos...
À semelhança de quaisquer outros que por aí se arrastam!